segunda-feira, 28 de março de 2011

Editorial

Caro Leitor!

  A vida nada mais é que um carnaval de emoções, acumuladas dentro de uma caixinha, que ao iniciar seu batuque em um ritmo incessante nos da força suficiente para aguentar o desfile de acontecimentos diários que nos fazem chorar, rir, viver emoções constantes.
  Todos os dias temos a oportunidade de entrar em uma nova avenida para dar o melhor de nós. E que ao entrar nesta avenida possamos carregar nosso destino como uma porta bandeira cheia de amor pela sua escola, e no final da avenida avistaremos o mestre sala nascer no horizonte.
  Não podemos deixar de homenagear as mulheres, essas superpoderosas, verdadeiras guerreiras que lutam pela igualdade e assumem cada dia mais papéis importantes em nossa sociedade.

Parabéns !

A vida nada mais é
que um carnaval de emoções

  É difícil pensar que muitas pessoas saiam de suas casas para cair na folia, se elas não têm nem mesmo algum motivo para sorrir?
  Observando de um plano mais geral é totalmente insano e absurdo que num país com mais de 40 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza, índices de assassinatos em ritmo de grandes guerras, tantas carências, mazelas governamentais e insensatez corporativa privada, uma nação ouse separar um espaço para grandes festas, boa parte delas patrocinada pelo poder público. Afinal, não obstante a clareza do surreal que é este momento de carnaval, principalmente no nosso país, o que o justifica, porque ele ocorre?
  Eu creio que para responder as indagações acima temos que lançar reflexões no nosso dia a dia. Vamos pensar, será difícil encontrar pessoas que todos os dias carregam desgostos da vida, contudo, seja em razão do trabalho, para preservar a família, para dar forças aos filhos ou amigos, ou ainda apenas para se inserir e manter status que simula e modifica a expressão dos seus sentimentos? Eu creio que a resposta é não, não é difícil. Boa parte das pessoas, desde o momento que acordam, vestem a fantasia, sem brilho, sem glamour, sem prêmio do júri.
  Estes seres sorriem, ficam bravos, até choram ou demonstram euforia simplesmente porque precisam disso para sobreviver, não porque sentem. E du-rante todo dia, ao carregar o fardo desta fantasia perene, não se ouve os sons dos clarins, nem tambores para dar o ritmo, leveza e alegria a jornada, há apenas o som mudo da vida.
  Vamos mais longe, o próprio ser humano como tal, estuda, trabalha, faz política, cria religiões, partidos políticos, regras, leis, moral e tudo pra que fim? Para morrer. Ou melhor, para distrair-se e esquecer-se da própria mortalidade, o ser humano inventa milhões de problemas, alguns reais e outros apenas criados artifi-cialmente. Num truque burlesco vive pensando numa vida eterna, nada mais que um artifício para não encarar a própria finitude. Mas outra música de carnaval nos diz “Roda, roda e avisa que a vida é um sonho que vai terminar...” E o folião, ao contrário de nós na nossa fantasia do dia a dia, não se ilude, ele sabe que está vivendo um “sonho feliz” de poucos dias que logo vai acabar. Talvez isto explique porque boa parte das antigas marchas de carnaval falava de saudade, de dor e do fim, porque enquanto pulam e sambam, eles sabem que a dura realidade os espera. “Vê, turbilhão desta vida passar. Vê, os delírios dos gritos de amor. Nessa orgia de som e de dor”.
  O fantasiado que vive depois do carnaval, é tão louco que às vezes acredita que vive mesmo uma realidade.
  Diante de tudo isso, vistam-se, vão às ruas, clubes, bares, ladeiras correndo atrás do bloco ou até mesmo do trio elétrico, enlouqueçam, mas ao menos neste período, cônscios da loucura, cientes que a alegria tem data marcada para acabar, numa lucidez rara que bem poderia ser aplicada no tétrico carnaval diário.
  Vamos brincar sim, pois como dizia Getúlio Cavalcanti ás vezes brincar carnaval é a única coisa que faz da vida de muitos, algo singular e especial.
  “Não deixem não, que o bloco campeão, guarde no peito a dor de não cantar. Um bloco a mais é um sonho que se faz o pastoril da vida singular.”
  E viva ao carnaval!

Adriano Cabral

Rita Elisa - Crônica

  São os causos de família que sempre nos despertam para uma boa prosa em volta de uma fogueira, no quintal de casa, ou no terreiro do sítio. Em uma dessas ‘contações de estórias’, fizemos a proposta de um tema para puxar pela lembrança, e o escolhido foi religião. Pronto, dizem que política e religião não se discutem, mas como não era mesmo causo de discussão, era só uma vaga lembrança de alguns fatos familiares sob o prisma religioso, aceitamos o tema. Então, lembrei-me, como se fosse ontem, de um causo verídico, desses que não podem faltar numa roda de prosa. Foi na época de Corpus Christi, na verdade na arrumação da rua para a procissão. Como é de praxe, minha família participa há várias gerações do processo de ornamentação das ruas. O que não é fácil porque as ruas são pavimentadas com para-lelepípedo. Minha mãe é artista da melhor estirpe, sabe desenhar, pintar e fazer uma boa arte. Foi minha primeira professora de Educação Artística, isso lá pela década dos anos 1960... deixemos isso de lado, senão fico mais velha do que penso. O causo que vou contar não faz tanto tempo assim, é mais recente.
  Minha mãe levantou-se cedo, antes do sol raiar, para ajudar na preparação do tapete na rua. Dessa vez ela esmerou-se em reproduzir, no entroncamento de duas ruas, a figura de um carneiro: o símbolo do Bom Pastor. Foi com agilidade de artista que desenhou com carvão uma verdadeira obra de arte. E veio a novidade... o carneiro ia ser preenchido com pipoca. Isso mesmo... minha mãe preparou cinco espigas de pi-poca, bem estouradas, levou-as em uma bacia enorme para preencher o carneiro, o último item a ser composto, já que os tapetes laterais das duas ruas já estavam finalizados, só faltava mesmo o carneiro. Acontece que o desenho era imenso, mamãe foi preenchendo a cabeça, depois o pescoço, o corpo foi tomando forma, lindo, parecia um carneiro de flocos de neve, as pessoas passavam e ali paravam admiradas. Mamãe de joelhos, não perdia tempo, ia completando o desenho, enquanto tinha de ralhar com alguns moleques de bicicleta que teimavam em ‘tentar’ passar por cima do tapete, e ainda por cima alguns cachorros que pisavam em tudo, sem dó. O carneiro tomou forma. Somente as pernas precisavam ser preenchidas quando, depois de quase uma hora de trabalho e faltando meia hora para a procissão, as pipocas acabaram. Não sei se por causa dos gulosos que se abaixavam e pegavam apenas uma, ou se a conta foi pouca mesmo. Só sei que minha mãe levantou-se, olhou dos lados, tudo normal, o tempo era para correria, saiu apressada para estourar outra espiga de milho. Em menos de 10 minutos ela estava de volta, sã e salva, com uma pequena bacia de pipoca para preencher as pernas do carneiro. O espanto foi grande, tão grande que minha mãe deixou a bacia no chão, sentou-se na beira da calçada. Seu carneiro foi devorado, literalmente, por um enorme cachorro preto que, de tanto que comeu, estava deitado em cima das sobras que pipocavam brancas em volta do satisfeito cão. Mamãe nem tentou tirar o cachorro dali. Pegou a bacia de pipocas e saiu oferecendo. Comeram com satisfação. Ficou a lição de que em tapete de procissão não se deve colocar algo comestível... nem mesmo pipoca.
  Esse é um causo que sempre rende muitas gargalhadas em nossa roda de prosa. O melhor é a receita da pipoca. Sei que vai dizer: ah!... mais isso é fácil, fácil até demais. Por isso não vou dar a receita de como estourar a pipoca. Vou passar a receita de uma tradição que quase só a encontro em São José dos Campos: o queijo que vem com a pipoca. Muitas vezes compro a pipoca só por causa do queijo. Quando meus filhos eram pequenos eu tentei de tudo para que o queijo ficasse igual aos vendidos pelos pipoqueiros. Passava o queijo na farinha, congelava, passei até mesmo no ovo. De nada me valeu. Vim conhecer esse segredo há poucos anos. Peço licença aos pipoqueiros, vou contar o segredo: corta-se o queijo em pequenos pedaços, só que tem de ser queijo amarelo, tipo mussarela ou parmesão (o melhor), não pode ser mineiro ou ricota, queijo branco não dá certo. Depois de cortado em quadradinhos coloca-os em uma vasilha de louça, vidro ou plástico, nunca de metal. Despeje sal refinado até cobrir todos os pedaços de queijo e deixe de um dia para o outro. O sal desidrata o queijo, tira toda a água dele. Verá que no outro dia os pedaços de queijo estarão boiando em água. Lave tudo em água corrente. Seque os pedaçinhos de queijo com pano limpo e frite em óleo quente. Pronto. Por isso o queijinho é tão salgadinho.


crônica - Ivani Isidoro

As Superpoderosas

Dos meses do ano, março é um mês para todas nós:
as SUPERPODEROSAS - MULHERES! 

  Tempo de recordar as femi-nistas em passeatas, da quei-ma de sutiãs em praça pública, tudo pela defesa da igualdade dos sexos.
  Não queimei sutiã, afinal, nem tinha ainda usado. Mas, aos doze anos fui participante de uma passeata feminista na Praça da Sé, São Paulo.
  Na época, a minha família mudou-se para o centro da cidade de Cruzeiro.
  D. Íris (como dizem na minha terra: que Deus a tenha !), foi a primeira vizinha que conhecemos e para a minha mãe, a janela para um mundo novo. Através dela, conhecemos Janete Bastos, engajada em mo-vimentos feministas, políticos e 1ª Dama da cidade.
  Daí, chegar até a São Paulo acompanhando um bando de mulheres feministas e participar de uma passeata na praça da Sé, foi um pulo!
  Passeata com barreira de Soldados, mulheres presas e toda aquela muvuca normal de uma passeata revolucionária! E, sem saber nada disso, lá estávamos nós: eu e minha mãe. Ela, muito mais pelo passeio e oportunidade de conhecer outros lugares e eu, pela ideologia feminista (recém aprendida) - com vontade adolescente de mudar o mundo. Os nossos diferentes motivos ficaram claros quando, ao levantar a tabuleta feminista de reivindicação na frente das filmadoras de TV, minha mãe gritou:
  - Abaixe! Abaixe a tabuleta para cobrir o rosto! Se seu pai nos ver aqui, estamos perdidas!
  Grande feminista de araque me senti! Confesso a frustração daquele momento: estava ali fazendo história e não poderia contar para todo mundo com medo de apanhar em casa...
  É .... De lá para cá, muita coisa mudou !
  Atualmente, estamos em todos os lugares na nossa so-ciedade – temos até uma mulher presidente !
  Mulheres SUPER-PODEROSAS!
  Pois, somos mães, profissionais, mulheres, cuidamos da casa e damos conta de tudo!
  Fecho os olhos e ainda ouço as vozes gritando por direitos iguais ....
  O direito de trabalhar, o direito de decidir, os direitos .... Direitos!
  Recordo o ditado conhecido de muitos: “o meu direito começa onde o seu termina”. Hoje, conheço outro ditado e é nele que acredito: “meu direito começa junto e ao mesmo tempo que o seu”.
  Ou seja: meu DIREITO não está antes ou depois do seu, ele É ao mesmo tempo - MEU e SEU!
  Pensando assim, não estaria levantando tabuletas pelos direitos das mulheres,na praça da Sé. Estaria lá, pelo direito humano de ser respeitada dentro das igualdades e diferenças de todos nós e pelo simples direito do AMOR ...
  Isso mesmo: direito do amor!
  Defenderia o mandamento do Mestre dos Mestres para torná-lo lei: amar ao próximo como a si mesmo!
  Não uma lei como muitas que existem e não passam do papel e sim uma lei universal internalizada na alma de cada um, vivida no coletivo social, buscada e praticada por todos.
  Minha mãe, mesmo estando a passeio naquela passeata, aprendeu e lutou pelo direito de trabalhar e até hoje luta como todas nós, pela liberdade de ter seus pensamentos respeitados. Aprendeu a usar calça comprida, mas nunca abandonou o feminino de usar uma saia .
  Foi com ela que aprendi ser igual?? Que nada! Bom é a diferença!
  É através dela que podemos ser solidários .
  Junto as minhas lembranças, vem uma vontade adolescente.
  Vem as idéias ....
  Uma, tem comichado o meu pensamento:
  Bem que poderíamos voltar-mos as praças, levantarmos bem alto as tabuletas, queimarmos as calcinhas e as cuecas por direitos iguais de amar e sermos amados !

Ivani Isidoro

Receita Culinária

Nuggets de Frango











Ingredientes:
• 600g de peito de frango sem osso
• 4 fatias de pão de forma (sem a casca)
• ¼ xícara (chá) de leite
• 1 cebola média picada
• 4 colheres (sopa) farinha de trigo
• Sal a gosto
• Para empanar usei claras de 2 ovos e farinha de rosca.

Modo de Preparo:
 Bata todos os ingredientes no processador até obter uma massa homogênea.
 Deixe na geladeira por 1 hora. Unte as mãos com óleo, pegue uma porção de massa, faça uma bolinha e achate um pouco (ou abra a massa em superfície enfarinhada e, com o auxílio de cortadores, corte no formato desejado). Empane passando na clara e depois na farinha de rosca.
 Frite em óleo quente e sirva acompanhados do molho de sua preferência.

Meio Ambiente

Faça a diferença!


Ajude a salvar o
nosso Planeta!
Participe e
conscientize-se!

Quais ações você praticou hoje para salvar o meio ambiente?

Hoje eu plantei uma árvore!
Hoje eu não deixei as luzes de casa ligadas sem precisar!
Hoje eu economizei energia e água tomando banho mais rápido!
Hoje eu joguei o lixo no lugar certo e não no chão! 
Hoje eu joguei o lixo no lugar certo e não no chão! 
Hoje eu deixei o carro na garagem e fui para o trabalho de bicicleta! 
Hoje eu descartei pilhas/baterias no coletor mais próximo de minha residência.
Hoje não fiz nenhuma, mas amanhã será diferente! 
Outras ações não relacionadas
  


Se não realizou nenhuma das alternativas acima,
tá na hora de se ligar, comece agora mesmo,
não deixe para amanhã!

Humor

  Um sujeito passava por uma estrada com seu carro a 100km/h quando percebeu que um frango que estava correndo pelo acostamento lhe ultrapassou, entrando em um sítio logo à frente.

  Indignado, entrou no sítio também quando encontrou com um senhor que cuidava de uma pequena horta e perguntou:
  - Senhor, bom dia!
  - Por favor, me responda uma pergunta!?
  - É daqui um frango muito veloz que ví correndo na estrada?
  - É sim senhor!
  - E como é que ele corre tanto?
  - O negócio é o seguinte...
  - Aquí neste sítio mora eu, minha senhora e meu filho. Quando nóis mata um frango é a maior briga porque nóis só gosta da coxa e como o senhor sabe, frango só tem duas, não é? Então se a gente mata um, falta uma coxa e se a gente mata dois fica sobrando uma coxa. Então eu tive a idéia de fazê um enxerto num ovo e nasceu esse frango com treis perna! E é por isso que ele corre tanto, uai!!
  -E o gosto da carne, mudou?
  -Olha moço, ainda não sei porque até agora, num conseguimo pega o danado!!

Curiosidade

Exercício para cérebros  enferrujados

Não deixe de ler...
De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea,
não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso,
a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm
no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê
anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos
cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

Sohw de bloa.

Bicho de Estimação

PULGUINHA

  
Esta é a "PULGUINHA", uma cachorrinha da raça schnauzer, que esteve no tobby pet e foi o destaque deste mês. Schnauzer, de origem Alemã. Provém de Württemberg, da Baviera e de Baden-Baden, mas há muito tempo que se difundiu, também, na Suíça setentrional , com o nome de pinscher de pêlo duro.
Suas múltiplas qualidades (é forte, vigilante, muito robusto, rude, dinâmico, fiel, inteligentíssimo) fazem dele um cão particularmente apto para a guarda e a defesa pessoal e também para a companhia; graças a seu caráter jovial e graciosa fisionomia, caracterizada pelo pêlo do focinho, que ao alongar-se , forma "bigodes" e sobrancelhas muito longas.
 
 
 
 

Aniversariantes do Mês

Parabéns à todos os aniversariantes,
que DEUS os ilumine e sempre
esteja em seus corações!





MÚSICA



Química do Amor


Luan Santana / Ivete Sangalo
 
Tom: E
 
Queria ser um peixe e mergulhar no seu aquário,
Queria ser a data e marcar seu calendário. Eu e voce, espera pra ver
Que tal, a gente agora misturar a nossa cor,
Pra ver a combustão, a química do nosso amor. Eu e voce, quer pagar pra ver?

Me diga, se voce vai entrar na minha vida
Que eu sou sua musa preferida
diga que eu sou seu bem-me-quer, seu anjo sua fada, o que voce quiser

Fala, no meu ouvido bem baixinho que me ama,
e me leva de uma vez pra sua cama,
Me dá uma noite de prazer. Eu topo tudo com você
Vambora, não demora,
eu quero ser o seu amor ôô ôô
Tô louca pra me entregar aa aa
E aí, paixão, o meu coração, tá xonado de tanto desejo
Eu quero ser o seu amor ôô ôô
Tô louca pra me entregar aa aa
 
Tudo que eu quero agora, é tá contigo e te amar
 
 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Editorial


 
 
  


Caro Leitor!


A fé é algo que sempre precisa estar presente em nossas atividades. Nesta edição trago uma mensagem que nos faz refletir essa visão,  e  mais uma vez vem o ensinamento de que nossa vida é feita de desafios e não podemos desistir. Que possamos pegar esse exemplo e aplicar em nossas vidas, vamos olhar as grandes tempestades ou ``abacaxis´´ de nossas vidas como mais um desafio a vencer, jamais como uma ameaça. Acredite em você!! E mesmo não sabendo cozinhar seremos alimentados com a graça de DEUS.
                                                                     Boa Leitura!

Reflexão

Ter Jesus no seu barco não significa
ausência de tempestade e sim certeza de que
seu barco não vai afundar!


Certa vez um jovem marinheiro teve que subir ao mastro durante uma tempestade, as ondas levantavam o barco para alturas estonteantes e logo em seguida jogavam-no para profundezas abismais.
  O jovem marujo começou a sentir vertigem e estava quase caindo quando o capitão gritou:
  - "Marujo, olhe para cima".
  De maneira decidida, o marinheiro desviou seu olhar das ondas ameaçadoras e olhou para cima. Ele conseguiu subir com segurança e executar a sua tarefa.
  Quando os dias de tribulação revolvem a nossa vida, quando as tempestades da vida nos confundem, perdemos o equilíbrio e somos ameaçados de despencar.
  Entretanto se desviarmos nosso olhar dos perigos e olharmos para o ajudador, se buscarmos a face do senhor em oração e agarramos a sua Poderosa mão, nosso coração se aquietará, receberemos força e paz para podermos executar as nossas tarefas em meio as tempestades e finalmente seremos vitoriosos.
  Amigos!! Precisamos muitas vezes mesmo o obstáculo sendo grande olhar para cima e acreditar. Precisamos ter fé e acreditar que quando nos dedicamos, trabalhamos, Deus está ao nosso lado. Olhe para cima, encare as coisas com otimismo.



Crônica - Rita Elisa Seda

  Férias mesmo com F maiúsculo só em cidade à beira mar, com um oceano por testemunha. Nasci e fui criada sob esta regente lei. Acho que, por ser mineira, a pratico anualmente. Antes eu seguia a lei das férias (férias escolares, do marido e coisa e tal...), mas, agora, faço minhas próprias férias – preciso de um descanso... tudo bem, vou ver o mar! Isso alivia minha alma.
  Diante do mar o tempo não passa... basta fechar os olhos e tudo volta. Como agora me recordando de uma tarde em Caraguatatuba – litoral norte paulista, juntos minha família, meus pais (Rita e Ivon) vindos de Minas, meus sogros (Geni e Kurt) que voltavam de uma pescaria no Mato Grosso do Sul. Eram tantas as novidades: pesca, caça, comida exótica, mosquitos e água. Sr. Kurt explicava o quanto o por do sol no Pantanal era lindo, deslumbrante... e como ele deixou alguns peixes escaparem, por serem bem grandes. Muitos pescados, todos com vara de resina, linha com grafite enrolada em carretilha tatuzinho. Iscas artificiais e naturais. Era muita informação sobre acessórios para pescaria, como alugar um barco, que roupa usar, como preparar o engodo, de que maneira deve-se jogar a linhada, como saber se o peixe ‘mamava a isca’, as táticas de fisgar o peixe, a briga para trazê-lo à tona e ainda mais... como içá-lo ao barco. Nossa... só de ouvir eu já ficava cansada, eu que só pego uns lambaris e olhe lá... imagine, então, o papai que ouvia toda a conversa na roda dos homens pescadores. Logo veio a pergunta: ‘você já pescou um peixe assim, Ivon?’ Papai, homem das letras, nunca foi chegado à pescaria, observou: ‘nunquinha, jamais pesquei um peixe assim tão grande’. Meu sogro emendou: ‘mas, um peixe assim, do tamanho médio, você fisgou, né?’. Sem pressa, tomando uma cerveja, respondeu: ‘acho que não. Não entendo muito de pesca...’ meu sogro foi comentando... ‘eu entendo de pesca, isso eu entendo...o que não entendo é de preparar o peixe. Comer eu como, mas fazer o peixe, isso não sei mesmo!’ Papai olhou dos lados, fez um rã rã característico dele, um pigarrear que conheço muito bem. ‘Pescar não pesco, não!... entretanto sei fazer um bom peixe com pirão, na folha de bananeira, que é uma delícia... pena que você não trouxe esse peixe tão grande, senão eu ia fazê-lo para a gente’.
  Daí por diante papai se entusiasmou, contou os pormenores culinários do prato exótico. Os olhos de meu sogro até faiscaram de vontade de ver esse delicioso peixe preparado e, ás vezes, até engolia a seco, como se comesse uma posta do peixe. Papai, orgulhoso de seu peixe, deixou todos com os sentidos aflorados, tanto que ao terminar houve um silêncio de palavras que não foram ditas... Deglutidas com peixe. Sr. Kurt foi eficaz: ‘Ivon, você me fez mudar os planos, amanhã não farei churrasco. Não tenho esse peixe aqui, porém tenho um quase igual, peixe de couro, um pouco menor, tem apenas sete quilos, que eu guardava para comer na Semana Santa. Hoje à noite vou tirá-lo do freezer para que você possa fazê-lo para nós amanhã’. Ouviu-se um hurra geral, todos abençoando a decisão, nem escutaram o engolir seco de um historiador.
  O dia amanheceu maravilhoso, o sol anunciava calor, céu claro, sem nuvens. Tomei café, comi pão com manteiga, tudo certinho, dentro da rotina. Perguntei pelo meu pai, me informaram: ‘na cozinha, preparando o peixe. Aliás, ele mandou um recado para você ir lá falar com ele!
  Não me fiz de rogada, fui até a porta da cozinha e bati uma vez. ‘Pai, você está aí?’ A porta foi aberta com uma fresta, papai me olhou, olhou dos lados, viu que eu estava sozinha, abriu um pouco mais a porta e me puxou para dentro. Fechou.
  ‘Pai... o que está acontecendo?’ Em cima da pia, um enorme peixe olhava esbugalhado para nós. E, só! Nem sinal de panelas, fogo aceso, condimentos, e tudo que o valha para fazer um bom peixe. ‘Filha me ajude... eu sei fazer o peixe, ou melhor, como se faz o peixe, mas nunca o fiz. Só li a respeito, afinal, você me conhece, se leio eu viajo com as palavras, para mim eu sabia fazer, mas não estou dando conta, nem sei por onde começar’. Trancamos a porta em segredo de estado, sem deixar que alguém aparecesse e nos tirasse da concentração.
  Bem, para começar, nós cortamos a cabeça do peixe. Depois que abrimos e limpamos o peixe o colocamos numa assadeira forrada com folhas de bananeira que dona Geni, logo de manhã, pegou no quintal e as deixou estrategicamente na cozinha. Untamos todo o peixe com pirão... por dentro e por fora. Enrolamos o peixe com as folhas de bananeira e amar-ramos. Foi só quando chegamos a esse ponto que papai se deu conta de que o peixe estava quase pronto. Só aí ele relaxou e sorrindo me deu um beijo no rosto e suspirou. Terminamos a tarefa. Abrimos a porta e papai, enxugando as mãos no avental sujo de pirão, anunciou: ‘o peixe já está no forno, daqui mais ou menos uma hora estará pronto’. Na verdade foi um dos peixes mais gostosos que já comi.
  Receita de como fazer esse peixe especial do Ivon:
  Em primeiro lugar o peixe tem de ser de couro. Corta-se a cabeça do peixe e a deixa para o pirão. Abra o peixe de fora a fora, limpe-o todinho, lave-o em água corrente e o enxugue com pano. O coloque em cima de folhas de bananeira que devem estar sobre uma assadeira. Salgue-o por dentro e por fora e deixe-o descansando (não entendo esse dito antigo ‘deixar descansando’ quando se trata de alimento a ser preparado... mas é assim que se fala, então... tudo bem). É hora de preparar o pirão. Coloque a cabeça do peixe em uma panela, cubra-a com água. Ligue o fogo e deixe ferver em fogo baixo até que as carnes internas e os olhos desprendam. Desligue. Raspe por dentro e por fora as carnes que ainda estiverem grudadas, faça isso enquanto a água ainda estiver quente, pois será mais fácil – mas, cuidado para não queimar os dedos. Retire da panela a carcaça e as cartilagens. Coloque nesse caldo: sal, uma colher de azeite, salsa e cebolinha. Ligue nova-mente o fogo e quando chegar à fervura comece a despejar a farinha de rosca, vai colocando devagar e ao mesmo tempo vá mexendo para não ‘empelotar’. O pirão não deverá ser muito duro nem muito mole – o ponto ideal é quando você levanta a colher e ele cai devagar em grandes pingos. Abra o peixe e coloque metade do pirão, espalhando bem. Feche o peixe com alguns pontos feitos com fio dental ou lacre-o com palitos de dentes (se assim o fizer lembre-se de avisar aos comilões que há palitos no peixe), depois passe a outra metade do pirão em cima e embaixo do peixe. Embru-lhe-o na folha de bananeira e, se preferir, para maior firmeza, amarre-o com barbante. Leve ao fogo pelo tempo necessário para o cozimento. Pode abrir a porta do forno de tempos em tempos para verificar. Quando a folha de bananeira estiver bem escura, abra um buraquinho e descubra se está no ponto que você quer. Bom apetite, acho que vou para o Mato Grosso pescar... ah! se vou!



Rita Elisa Seda
Cronista, poeta, biógrafa, fotógrafa e jornalista.



Crônica - Ivani Isidoro

Descascando o abacaxi!
  Descascar um abacaxi para quem não conhece este dizer popular, significa ter uma situação/problema difícil para resolver e ficar com o abacaxi é ficar na pior ou com o pior . Literalmente descasquei um abacaxi dias atrás, ou seja descasquei o dito fruto e deixou-me na certeza que não existe abacaxi que não possa ser descascado e sim a escolha se queremos descascar e o que fazer com o que achar.
  Tudo começa pelo cheiro! E, verdade se diga: oh! fruta danada para cheirar gostoso!
  Ao lembrar uma amiga alérgica do desbunde deste cheiro e depois de ser ameaçada pelo crime de levá-la a saliva abacaxizante num incentivo a uma overdose de polaramine, confirmou-me de seus dicionários o que meu nariz já sabia: a palavra abacaxi tem origem tupi , de aba – fruta e cati – cheirar muito.
  Sabia, saber ...OPS! A origem interneteana da palavra saber vem do latim vulgar sapere, sentir cheiros, ter bom paladar, ter sabor. Tudo a ver com o abacaxi !
  Se cheirar é bom - é saber, por que a referência popular descascar abacaxi é fazer algo ruim? Resolvi defender o cheiroso das calúnias e descascar os preconceitos!
  E, apesar de estar ainda procurando a origem da expressão toda, posso dizer que o abacaxi está personificado em todos nós! Pois, se os outros podem ser abacaxis para nós, somos os outro dos outros, ou seja também abacaxis! Pior, podemos ser o abacaxi de nós mesmos!
  Descascar um abacaxi é o processo de qualquer relaciona-mento com a vida, com o outro e do eu para o eu.
  Abacaxis: alguns cheiram mais, outros menos, tem as cascas, alguns tem a polpa doce outras azedas e ou variam dependendo do lugar, para alguns é gosto, outros desgosto ...
  Assim, todos os dias encontramos abacaxis que podem ser sabores, dissabores, gostos e desgostos depende do saber que o cheiro se faz percebido.
  Quando nos apaixonamos é como sentir aquele cheiro do abacaxi que embriaga os sentidos!
  Você pode até não querer sentir, mas os sentidos enganam a razão e não dá para não ser percebido. Chegamos perto pegamos com medo de machucar e puxamos uma folhinha de prosa tentando descobrir se é doce como o cheiro.
  Quantos abacaxis deixamos porque a folhinha não saía, o preço superou o cheiro, aquele Toque da palavra gesto nos repeliram!?
  Na paixão cheirosa esque-cemos da pergunta: quem vai descascar?
  Pois, levar o abacaxi para a nossa casa interior é trazer tuuuudo junto: casca, espinho e depois a polpa! Relacionar-se é o querer saber mais, é ter sabor, ter bom paladar, comer mais da polpa! É o antropofagismo natural e saudável da nossa alma que se alimenta do outro. Única diferença entre o abacaxi fruta e abacaxi pessoa: a fruta descascamos, comemos e acabou e nós diariamente descascamos e somos descascados.
  Sendo assim, filhos, amigos, companheiros são eternos abacaxis e o consolo é que somos os abacaxis deles também!
  Está na sabedoria de como se descasca a qualidade do relacionamento, vinda somente da experiência diária, da capacidade de resiliência pessoal e necessidade deste ou aquele abacaxi. Precisamos retirar as cascas, os espinhos com jeito para não estragar o abacaxi e não machucar nossas mãos; com delicadeza , atenção, amor e respeito no uso da faca, trabalhoso mas necessário . As cascas, os espinhos? Infelizmente não dá para jogar fora sempre, a lixeira das lembranças pode transbordar e incomodar pelo odor de apodrecimento.
  É preciso transformá-lo em suco, deixar curtir em água, bater no liquidificador, usar o resto e os pequenos pedaços podres como esterco na planta da convivência.
  Na nossa casa alguns abacaxis tem a polpa ainda azedas, ainda não estão no ponto. É preciso ter paciência, contentar-se com o cheiro e dar tempo para que amadureça. De alguns fazemos suco, colocamos no fogo para ver se com açúcar melhora ou colocamos em bolo para dividir com os outros .
  Tem aqueles que jogam fora, pois não estão interessados em ter trabalho .
  Ter relacionamentos dá trabalho! Pessoas abacaxis a cada descascada, são caixinhas de surpresas. Surpresas azedas algumas vezes podem ser resolvidas com um simples minuto no microondas, não esquecendo dos 15 minutos para esfriar se não quisermos queimar a língua e cuspir a polpa.. Explico, no microondas a mudança no estado é mais rápida pela quebra das partículas, ação que a palavra resposta ao azedo que recebemos do outro, por isso a importância da espera necessária nas discussões e conflitos .
  Constatação triste, polpas azedas ainda tem jeito, polpas totalmente podres não!
  Graças a Deus, alguns abacaxis são prazerosamente descascados com intenções de casca suco, polpa e miolo amorosamente doces.
  Conto um segredo a minha amiga doce abacaxi alérgica: sou alérgica a alguns abacaxis também. Amo abacaxis, mas não dá para comê-los, nem litros de polaramine resolveriam.Podem até serem doces, mas não são nossos.
  E, se algum foi parar em sua mão para ser descascado, cheire, tenha esperança e fique feliz! Afinal o que seria de nós sem a polpa dos outros !?

Ivani Isidoro